Na festa de aniversário, todas as crianças correm pelo salão e a sua fica perto de você. No recreio, ela passa o intervalo sozinha. Quando chamam para brincar, responde “não quero”. Você olha de longe e se pergunta: isso é timidez ou tem algo mais?
A resposta depende de por que ela fica de fora, e é isso que vale entender primeiro.
Nem toda criança brinca do mesmo jeito
Algumas crianças observam por um bom tempo antes de entrar em uma brincadeira. Outras preferem brincar sozinhas ou com um único amigo. Isso faz parte do temperamento de cada uma e, por si só, não é um problema.
Também é esperado, em crianças pequenas, brincar ao lado das outras sem brincar junto. A brincadeira em grupo vai ganhando espaço aos poucos, conforme a criança cresce.
O que pode estar por trás de ficar de fora
Quando a criança fica de lado, os motivos podem ser bem diferentes. Na timidez, ela demora para se soltar, mas, depois de um tempo, costuma entrar na brincadeira. Há também a criança que evita por medo de errar ou de ser rejeitada, e prefere ficar de fora a passar por uma situação que a deixa desconfortável.
Outras vezes, ela simplesmente não sabe como entrar. Pedir para brincar junto parece simples para quem já sabe fazer, mas é algo que se aprende, e nem toda criança teve a chance de aprender.
Mudanças recentes também pesam: troca de escola, mudança de casa, a chegada de um irmão, uma perda na família. E vale lembrar que algo pode estar acontecendo na escola. A criança pode estar sendo deixada de lado ou sendo alvo de apelidos e não conseguir contar.
Quando vale olhar com mais atenção
Para decidir se é hora de procurar ajuda, três perguntas ajudam. O isolamento já dura semanas, e não apenas alguns dias? A criança sofre por ficar sozinha ou evita fortemente qualquer contato? E isso atrapalha a escola, as amizades ou a rotina da família?
Merecem atenção, principalmente, os casos em que o isolamento aparece junto com outros sinais, como recusa de ir à escola, crises frequentes de choro ou de raiva, mudança de humor, queixas físicas, como dor de barriga sem causa médica, ou dificuldade de se comunicar com os outros. Nessas situações, converse com o pediatra e com a escola, e considere uma avaliação com uma psicóloga.
O que você pode fazer em casa
Observe com calma e evite rótulos. Dizer na frente dela que é “tímida” ou “antissocial” pode reforçar a ideia de que ela é assim. Em vez de perguntar “por que você não brinca com ninguém?”, pergunte sobre o dia: “com quem você brincou hoje?” costuma abrir mais a conversa.
Criar oportunidades pequenas também ajuda. Convide um colega de cada vez, em um ambiente que ela conheça, com uma brincadeira de que ela goste. Converse com a professora, que pode contar como a criança se comporta na escola, algo que você nem sempre vê. E evite forçar: empurrar a criança para “ir lá brincar” costuma aumentar o desconforto.
Quando procurar uma psicóloga
Se o isolamento dura semanas, causa sofrimento à criança ou atrapalha a escola e a rotina, vale conversar com uma psicóloga. Procurar uma psicóloga não quer dizer que algo está errado com seu filho. Ela ajuda a entender o que está acontecendo e orienta a família.
Na Clínica Espaço Único, o atendimento infantil acontece por meio de brincadeiras, desenhos e histórias, que são a linguagem em que a criança se expressa com mais naturalidade, dentro da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) adaptada à idade. Atendemos crianças a partir de 3 anos. A primeira sessão é só com os responsáveis, para que a psicóloga conheça a história da criança.
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Este texto é informativo e não substitui a avaliação de um profissional.
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